A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, até agora, a venda de duas marcas de autotestes de covid-19 no Brasil. A segunda liberação, concedida nesta quarta-feira, 23, foi para o Covid Ag Detect, da empresa Eco Diagnóstica Ltda. Com produção nacional, o preço por unidade deve ficar entre R$ 39,90 e R$ 59,90 e a expectativa é iniciar a distribuição a partir da próxima sexta-feira, 5.

Já a outra empresa com registro no País, a CPMH Produtos Hospitalares, recebeu 20 milhões de unidades da China. A previsão é começar as vendas do produto, o Novel Coronavirus (Covid-19) Autoteste Antígeno, também no próximo mês. Ambos foram permitidos para uso com amostra de swab nasal, de forma não profunda, que disponibiliza o resultado após 15 minutos.

O produto da Ecodiagnóstica é fabricado em Corinto (MG) e todos os insumos necessários para o produto já se encontram na indústria. “Nossa ideia é chegar a um milhão de autotestes por semana, 4 milhões por mês. Vamos focar a entrega para as grandes redes de todo o Brasil”, disse ao Estadão Vinícius Pereira, CEO da Eco Diagnóstica. A aprovação, que levou 22 dias, também foi publicada no Diário Oficial da União.

Sobre a capacidade de produção, Pereira afirma que já há cinco milhões de testes pré-reservados para as principais redes do Brasil. “Nossa capacidade de produção/dia, vamos estudar ainda, mas queremos, em breve, chegar em torno de 200 mil testes/dia. Vamos ter embalagens com uma, três ou cinco unidades – kit família e para empresas”, afirmou o CEO da Eco Diagnóstica.

“O preço de venda deve chegar em torno de R$ 39,90 a 59,90, por teste”, estimou. Segundo Pereira, o autoteste da Eco Diagnóstico é o mesmo já vendido e realizado por profissionais em laboratórios e hospitais. Só muda a embalagem. Ele vem com um tampão que inativa o vírus, o que dá segurança ao paciente no momento de fazer a testagem em casa.

Foto: Banco de Imagens

1ª empresa a ter registro aposta em kits importados
A CPMH Produtos Hospitalares, primeira empresa autorizada pela Anvisa a comercializar autotestes de covid no País, já recebeu o 1º lote importado do produto. Neste caso, os testes são produzidos pela empresa chinesa Bioscience (Tianjin) Diagnostic Technology, que já é fornecedora de outros testes profissionais para a CPMH.

Em um primeiro momento, a empresa do Distrito Federal recebeu 20 milhões de unidades, que serão distribuídas para 35 mil farmácias e lojas de artigos médicos de todo o Brasil ainda em março. Lotes futuros já estão em negociação.

“O produto já está no Brasil. Estamos apenas aguardando as autorizações da Anvisa e da Receita Federal para serem entregues para as farmácias e lojas de artigos médicos”, disse Rander Avelar, responsável técnico da empresa. Esse produto já é comercializado nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia.

Embora o preço final ao consumidor seja definido por políticas dos estabelecimentos que venderão o kit, Avelar acrescenta que irá monitorar os valores praticados pelos locais. “Fazemos acompanhamento pós-mercado, (para verificar) como está o desempenho do dispositivo e os preços praticados também”, garantiu.

Segundo Avelar, considerando as negociações feitas com o fornecedor e o compromisso da empresa em democratizar o acesso, o preço deverá ser acessível. “Podemos dizer com muita certeza que nosso teste no Brasil terá custo muito menor que o praticado na Europa e nos Estados Unidos. Conseguimos uma negociação com o fornecedor que permite que o produto chegue ao mercado de forma competitiva. Temos experiência com comércio exterior há mais de 10 anos, o que nos permitiu ter eficiência operacional para que o produto chegue de forma competitiva ao mercado”, disse.

O Novel Coronavirus (Covid-19) Autoteste Antígeno permite o resultado em 15 minutos. O autoteste pode ser usado entre o 1° e o 7° dia do início de sintomas (como febre, tosse, dor de garganta, coriza, dores de cabeça e no corpo, por exemplo). Caso não haja sintomas, ou nos casos que se tenha contato com alguém que testou positivo, é recomendado que se aguarde pelo menos cinco dias para realizar a autotestagem.

“Esse teste não é o mesmo teste de uso profissional (em laboratórios e hospitais). Ele foi desenvolvido para ser autoteste. O swab é diferente. Foi feita versão para que pudesse ser um autoteste”, afirmou Avelar. O QR Code disponível na bula do autoteste dá acesso a um link com um vídeo que esclarece todas as orientações sobre o uso do produto.

Além da CPMH e da Eco Diagnóstica Ltda, outras 68 empresas também fizeram pedidos para a Anvisa. Conforme última atualização no painel da Anvisa, treze tiveram o registro reprovado e duas estão em ‘análise do cumprimento de exigência’, uma das últimas etapas do processo. Outras 53 estão em sendo analisadas em outras etapas. Procuradas, as principais redes de farmácias ainda não se pronunciaram sobre a aquisição dos autotestes já aprovados pela Anvisa.

O que é o autoteste?
É um produto que permite que a pessoa realize todas as etapas da testagem, desde a coleta da amostra até a interpretação do resultado, sem a necessidade de auxílio profissional. Para isso, deve seguir atentamente as informações das instruções de uso, que possuem linguagem simples e figuras ilustrativas do seu passo a passo.

Para realizar o teste em casa, a pessoa precisa fazer uma coleta da secreção das narinas, seguindo as instruções de uso. Todos os materiais necessários para realizar o teste, como instruções, cotonetes, dispositivos de teste e reagentes são fornecidos na embalagem. Além disso, o resultado pode ser verificado em até 15 minutos.

Em países onde o uso é permitido, os autotestes estão disponíveis para venda em farmácias e lojas de varejo, assim como são distribuídos para a população pelos governos locais ou empresas. Com relação aos valores para venda, na Alemanha, por exemplo, a unidade é vendida entre 5 e 2,4 euros, o que equivale a R$ 28,40 e R$ 13,60, respectivamente, valores menores que os estimados para a venda no Brasil.

Embalagens familiares devem ter preço menor

Segundo o presidente executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Carlos Eduardo Gouvêa, os produtos que estão sendo aprovados passaram por uma série de avaliações criteriosas, envolvendo empresas com autorização de funcionamento e certificação de boas práticas. “Em razão destas últimas etapas de produção ou mesmo de nacionalização (no caso de produtos importados), acredito que na 1ª quinzena de março os autotestes estejam nas prateleiras das farmácias”, avaliou.

“Acredito que o autoteste seja vendido bem abaixo dos preços dos testes rápidos de antígeno para covid-19, hoje entre R$ 75 e R$ 150, de acordo com a região ou farmácia. Sendo provavelmente o valor unitário mais baixo no caso das embalagens familiares com até cinco testes por caixa”, acrescentou.

 

Agência Estado