O presidente Jair Bolsonaro criticou, nesta sexta-feira, 15, um acordo firmado entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o WhatsApp para adiar o lançamento de uma nova ferramenta do aplicativo no País que permite a criação de grupos com milhares de pessoas . Segundo o chefe do Executivo, o trato é “inaceitável”, “inadmissível” e não será cumprido. Ao se referir ao assunto, ele atacou ministros da Corte e falou em censura nas eleições.

A plataforma de mensagens estuda implementar, nos próximos meses, um recurso chamado “comunidades”, a partir do qual será possível agregar grupos para interagir com milhares de pessoas. Devido ao acordo que firmou com a Corte eleitoral para as eleições deste ano, a empresa se comprometeu a aguardar o segundo turno para lançar a novidade no Brasil. Atualmente, o número máximo de participantes de um grupo é 256 pessoas.

Bolsonaro apoiadoresMotociata com o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Werther Santana/Estadão

“Já adianto que isso que o WhatsApp está fazendo no mundo todo, não tem problema, agora, abrir uma excepcionalidade para o Brasil, isso é inadmissível, inaceitável e não vai ser cumprido esse acordo que porventura eles realmente tenham feito para o Brasil, com informações que eu tenho até o presente momento”, afirmou Bolsonaro, em vídeo transmitido pela Jovem Pan.

O presidente disse ocupar o cargo graças a uma “missão de Deus” e voltou a citar o argumento da “liberdade” para condenar ações do Judiciário. “Mais valioso do que a nossa própria vida é a nossa liberdade. Nossa democracia é açoitada diariamente. Nosso direito de ir e vir, a nossa liberdade de pensar e de expressar, a nossa liberdade de culto, isso não tem preço. O Brasil é um País livre e eu farei continuar livre custe o que custar”, afirmou, acrescentando que daria “a vida”.

Bolsonaro também reeditou críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário no pleito presidencial de outubro. “Imaginem se no meu lugar estivesse o ladrão petista?”, indagou. Em seguida, seus apoiadores começaram a gritar: “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão.”

As declarações foram feitas durante a participação do presidente em motociata organizada pelo grupo “Acelera para Cristo”, nesta sexta-feira. Acompanhado de centenas de motoqueiros, o chefe do Executivo percorreu 120 quilômetros da Rodovia dos Bandeirantes, de São Paulo até a cidade de Americana, no interior do Estado.

O ex-ministro da Infraestrutura e pré-candidato ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) também participou do evento. Na chegada a Americana, ambos participaram lado a lado de um ‘comício’ com forte tom eleitoral. Estava presente, ainda, o ex-ministro do Meio Ambiente e pré-candidato a deputado federal Ricardo Salles, que também pretende disputar cargo por São Paulo.

Agência Estado