Ataques a prédios civis fazem parte de estratégia russa na guerra contra a Ucrânia Foto: Nexta Reprodução

Autoridades ucranianas e serviços de inteligência do Ocidente afirmam que as forças russas estão preparando uma nova ofensiva no Leste da Ucrânia, ponto central do conflito iniciado em fevereiro e da crise político-militar vivida pelo país desde o início de 2014.

Um dos principais alvos das forças do Kremlin é Mariupol, onde o presidente Volodymyr Zelensky afirma terem morrido “dezenas de milhares de civis” no cerco russo que se prolonga há quase dois meses.

Ao mesmo tempo, analistas apontam para um outro fator que pode ter influenciado a decisão de Vladimir Putin de lançar a invasão: as reservas de gás da Ucrânia, concentradas justamente no Leste do país, em boa parte ainda inexploradas.

Até o momento, não se pode cravar que uma nova fase da guerra, agora em Donbass, tenha começado. Por enquanto, governos ocidentais afirmam, citando dados de inteligência, que a movimentação está voltada ao reforço e ao abastecimento das tropas no Leste. 

Ucranianos sem munição

Com a munição perto do fim, soldados ucranianos disseram que estão se preparando para o que afirmaram ser a última batalha contra os russos na cidade portuária de Mariupol.

A cidade está sitiada pelo exército russo há mais de 40 dias e pode viver a sua última batalha. Soldados ucranianos da Trigésima Sexta Brigada fizeram um apelo dramático nas redes sociais, e escreveram: “A nossa munição está acabando. Parte de nós será morta, e a outra parte será feita prisioneira. 

 O prefeito de Mariupol disse ontem que mais de 10 mil civis morreram no cerco russo da cidade, e que o número de mortos pode ultrapassar 20 mil. A cidade possuía 400 mil habitantes antes da guerra e, até o momento, cerca de 100 mil permanecem.

Ele acrescentou que os russos levaram equipamentos móveis de cremação à cidade para descartar os corpos. Além disso, ele voltou a afirmar que as forças russas se recusaram a permitir a entrada de comboios humanitários na cidade, na tentativa de esconder o massacre.

Conversa dura

Ontem, o chanceler austríaco Karl Nehammer se encontrou com o presidente russo Vladimir Putin. Nehammer saiu da reunião se dizendo “pessimista” sobre a evolução da guerra na Ucrânia. Para ele, o acúmulo de tropas russas no leste da Ucrânia pode ser o prenúncio de uma “escalada de violência”. O chanceler contou que disse a Putin que as sanções contra a Rússia permanecerão em vigor e ficarão mais duras enquanto as pessoas estiverem morrendo na Ucrânia.

Sofrimento das crianças

O Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, informou ontem que, em 6 semanas de conflito, quase 3 milhões de crianças ucranianas necessitam de assistência humanitária.

Segundo o órgão, a “guerra continua sendo um pesadelo para as crianças”, tanto para aquelas que permaneceram quanto para as que fugiram – grupo que representa cerca de 2/3 de toda a população infantil no país.

10 milhões de refugiados

Dados da ONU apontam que mais de 10 milhões de ucranianos já foram obrigados a abandonar suas casas desde o início da invasão russa, no fim de fevereiro. Desse total, cerca de 4 milhões e meio deixaram o país, a maior parte rumo a outras nações europeias. Somente entre 3 e 31 de março, o Brasil, por exemplo, concedeu 74 vistos e 27 autorizações de residência humanitária a ucranianos.

Jornalista

O jornal alemão Die Welt anunciou a contratação da jornalista russa Marina Ovsyannikova Ela saiu nas manchetes internacionais após protestar contra a guerra na Ucrânia durante um noticiário ao vivo da TV estatal russa no horário nobre. Com um cartaz, ela se posicionou atrás da colega que estava na bancada do telejornal. Marina agora é correspondente do jornal alemão na Ucrânia e na Rússia e em outras regiões. A jornalista também será colaboradora do canal de notícias da TV do mesmo grupo.