Um homem que postou vários vídeos nas redes sociais denunciando os Estados Unidos como um lugar racista inundado de violência e contando sua luta contra a doença mental foi preso na tarde desta quarta-feira, 13, um dia após um ataque a um trem do metrô no Brooklyn deixar 10 pessoas feridas por tiros.

 

Frank James, de 62 anos, foi detido no bairro de East Village, em Manhattan, disseram policiais que não estavam autorizados a discutir a investigação e falaram sob condição de anonimato à agência Associated Press. Mais detalhes não estavam disponíveis imediatamente.

Imagem divulgada pela polícia de Nova York de Frank James, suspeito do ataque ao metrô do Brooklyn

Imagem divulgada pela polícia de Nova York de Frank James. (Reprodução)

A polícia havia dito inicialmente na terça-feira que James estava sendo procurado para interrogatório porque ele havia alugado uma van possivelmente ligada ao ataque, mas não tinha certeza se ele era o responsável pelos disparos.

O prefeito Eric Adams disse em uma série de entrevistas à mídia na manhã desta quarta-feira que os investigadores passaram a tratar James como suspeito, mas não ofereceram detalhes.

O atirador disparou granadas de fumaça em um vagão do metrô lotado e, em seguida, disparou pelo menos 33 tiros com uma pistola 9 mm, disse a polícia. Cinco vítimas de tiros estavam em estado crítico, mas todos os 10 feridos deveriam sobreviver.

Pelo menos uma dúzia de outros que escaparam de ferimentos a bala foram tratados por inalação de fumaça e outros ferimentos. O atirador escapou no caos, mas deixou para trás inúmeras pistas, incluindo a arma, carregadores de munição, um machado, granadas de fumaça, gasolina e a chave de uma van U-Haul.

Essa chave levou os investigadores a James, um recém chegado a Nova York que tinha endereços mais recentes na Filadélfia e Wisconsin.

Investigadores federais determinaram que a arma usada no ataque foi comprada por James em uma loja de penhores – um negociante de armas de fogo licenciado – na área de Columbus, Ohio, em 2011, disse um oficial.

Nenhum explosivo ou arma de fogo foi encontrado na van. A polícia encontrou outros itens, incluindo travesseiros, sugerindo que ele estava dormindo ou planejava dormir na van, disse a autoridade.

Os investigadores acreditam que James veio da Filadélfia na segunda-feira e revisaram o vídeo de vigilância mostrando um homem com sua descrição física saindo da van na manhã de terça-feira, disse o funcionário. Outro vídeo mostra James entrando em uma estação de metrô no Brooklyn com uma bolsa grande.

Além de analisar registros financeiros e telefônicos ligados a James, os investigadores estavam revisando horas de vídeos desconexos e cheios de palavrões que James postou no YouTube e em outras plataformas de mídia social — repletos de linguagem violenta e comentários preconceituosos, alguns contra outros negros — enquanto tentavam discernir um motivo para suas ações.

Em um vídeo, postado um dia antes do ataque, James critica o crime contra negros e diz que são necessárias medidas drásticas. “Você tem crianças entrando aqui agora pegando metralhadoras e ceifando pessoas inocentes”, diz James. “Não vai melhorar até que melhoremos”, disse ele, acrescentando que achava que as coisas só mudariam se certas pessoas fossem “pisadas, chutadas e torturadas” para fora de sua “zona de conforto”.

Em outro vídeo, ele diz: “Esta nação nasceu na violência, é mantida viva pela violência ou pela ameaça dela e vai ter uma morte violenta. Não há nada que impeça isso.”

A comissária de polícia Keechant Sewell chamou as postagens de “preocupantes” e as autoridades reforçaram a segurança para Adams, que já estava se isolando após um teste positivo para covid-19 no domingo.

Vários vídeos de James mencionam os metrôs de Nova York. Um vídeo de 20 de fevereiro diz que o plano do prefeito e da governadora para tratar dos sem-teto e da segurança no sistema de metrô “estava fadado ao fracasso” e se refere a si mesmo como “vítima” dos programas de saúde mental da cidade. Um vídeo de 25 de janeiro critica o plano de Adams de acabar com a violência armada.

A estação de metrô do Brooklyn, onde os passageiros fugiram do trem cheio de fumaça no ataque, foi aberta como de costume na manhã desta quarta-feira, menos de 24 horas após a violência.