Kiev se prepara para invasão de tropas russas que deve ocorrer nas próximas horas Foto: Reprodução

A capital da Ucrânia, Kiev, está estocando remédios, comida e outros demais de primeira necessidade como preparação para uma possível invasão. A declaração foi dada neste sábado pelo prefeito Vitali Klitschko.

“Amigos! Caros kievitas! A capital, perto de onde os combates continuam, está se preparando para a defesa. Continuamos a reforçar os postos de controle. Estamos criando reservas de produtos, medicamentos e bens de primeira necessidade”, afirmou o prefeito e ex-campeão mundial de boxe peso-pesado.

Além disso, “pelo terceiro dia”, disse ele, “a cidade tem ajudado a região de Kiev a retirar moradores de cidades vizinhas, como Hostomel, Bucha, Vorzel e Irpin”, algumas das quais foram bombardeadas pelos russos.

“Kiev ainda oferece transporte de passageiros em ônibus. E as equipes de resgate buscam as pessoas na estação de trem. E aqueles que querem deixar a cidade são enviados de trem para o oeste da Ucrânia”, acrescentou.

Klitschko também apelou, como presidente da Associação das Cidades da Ucrânia, a organizações internacionais e associações de prefeitos de países democráticos “sobre as ações criminosas dos ocupantes russos”.

Ele lembrou que Ivan Fedorov, prefeito da cidade de Melitopol, ocupada pelos russos há poucos dias, foi “sequestrado e feito prisioneiro ontem” pelas tropas russas. “Com a cidade ocupada, a comunidade ficou sem seu líder eleito! Eles [os russos] querem paralisar o sustento de Melitopol e assim desmoralizar e subjugar os habitantes”, afirmou.

Neste sábado, as forças russas se posicionaram em torno de Kiev e “bloquearam” Mariupol, um porto estratégico no sudeste onde milhares de pessoas estão enfrentando um cerco devastador, após mais de duas semanas de conflito na Ucrânia.

O exército ucraniano indicou que as tropas russas concentram seus esforços na capital, em Mariupol e em várias cidades do centro, como Krivói Rog, Kremenchuk, Nikopol ou Zaporizhia.

Situação desesperadora em Mariupol

Depois de 12 dias de cerco, grande parte das atenções está voltada para Mariupol, no Mar de Azov. Os moradores estão incomunicáveis, sem água, gás ou eletricidade e até brigam para conseguir comida. A ONG Médicos Sem Fronteiras alertou que a situação é desesperadora.

O coordenador da MSF na Ucrânia, Stephen Cornish, disse que o cerco, como o que o exército russo vem fazendo, é uma prática medieval proibida pelas leis modernas da guerra.

O presidente Volodmir Zelenski afirmou que as tropas russas não permitem a entrada de ajuda humanitária na estratégica cidade de Mariupol.

“Mariupol sitiada é atualmente a pior catástrofe humanitária do planeta. 1.582 civis mortos em doze dias, enterrados em valas comuns como esta”, disse o diplomata-chefe da Ucrânia, Dmytro Kuleba, em um tuíte acompanhado de uma foto de uma vala com cadáveres.