O momento captado é comovente: apoiado em uma muleta com parte do que lhe restou da perna direita, um pai brinca com o filho, que não tem nenhum dos membros completos, jogando-o para cima, enquanto sorriem juntos. Foi esse instante capturado pelas lentes do fotógrafo turco Mehmet Aslan que levou o prêmio de “Foto do Ano” no Siena International Photo Awards.

Foto: Mehmet Aslan/ Reprodução/ Siena International Photo Awards

A cena foi registrada no sul da Turquia, perto da fronteira com a Síria. O homem na foto é Munzir al-Nazzal, um pai de três filhos que perdeu a perna após uma bomba ser detonada em Idlib, cidade síria onde vivia com a família. O menino na imagem é Mustafa al-Nazzal, o mais velho dos filhos de Munzir.

Mustafa não perdeu os braços em pernas em um bombardeio, mas o quadro de tetra-amelia congênita que fez a criança nascer sem os membros também é decorrente da Guerra da Síria. Quando estava grávida, a mãe do menino precisou tomar um medicamento – que causou o quadro do filho – após adoecer ao inalar um gás nervoso utilizado no conflito.

Em entrevista ao The Washington Post, o fotógrafo contou ter conhecido os pais de Mustafa já na Turquia, para onde o casal se mudou na tentativa de ajudar para o filho – que precisa de tratamento médico que os pais não podem pagar totalmente e de próteses especiais que eles não conseguem encontrar na Turquia.

“Queríamos chamar a atenção para isso”, disse Aslan, que espera que a imagem destaque a busca da criança refugiada por próteses. “O menino sempre tem muita energia. O pai parece ter desistido”.

Também ao Post, o pai de Mustafa, Munzir, disse ter ido a todos os hospitais que encontrou em diversas cidades, nas não encontrou uma forma de providenciar as próteses para o filho. “Eu juro que fui de um hospital para outro”, afirmou. E completou: “Ele é assim, mas é muito, muito inteligente”, disse o pai, enquanto o menino sorria e rolava no tapete, antes que sua irmã o pegasse e colocasse no sofá.

A família al-Nazzal depende principalmente da caridade há mais de três anos, desde que escaparam de Idlib e se refugiaram no sul da Turquia, onde outros milhões de refugiados buscou abrigo. O fotógrafo Mehmet Aslan espera que a imagem também ajude a aliviar uma reação contra as comunidades de refugiados na Turquia, onde alguns as culpam por problemas econômicos.

Intitulada “Dureza da vida”, que os jurados descreveram como “emocionalmente forte”, a imagem será exposta com outras fotos selecionadas pelo juri em uma exposição na Itália neste mês.

“A imagem chegou ao mundo”, disse a mãe do Mustafa, Zeinab. “Há anos tentamos fazer com que nossas vozes sejam ouvidas por qualquer pessoa que queira ouvir, para ajudar no tratamento dele. Daríamos tudo para dar a ele uma vida melhor”.

Agência Estado