Europa vai enfrentar nova crise com refugiados vindos da Ucrânia  Foto: UNHCR Cris Melzer

A agência de refugiados da ONU informou na noite de ontem que 1 milhão de pessoas fugiram da Ucrânia desde a invasão da Rússia que entra hoje no oitavo dia. O êxodo sem precedentes neste século por sua velocidade.Na guerra da Síria, em 2011, foram pelo menos três meses para que 1 milhão de pessoas deixassem o país.

A agência da ONU já admite rever a projeção de que até 4 milhões de ucranianos vão cruzar as fronteiras durante a guerra. O país tem 44 milhões de habitantes, segundo o Banco Mundial.

A Europa prepara um plano de emergência para o que poderá ser a maior crise de refugidos neste século.O jornal The Guardian noticiou que os ucranianos terão o direito de viver e trabalhar na União Europeia por até três anos.

O Brasil prepara uma portaria para conceder visto humanitário aos ucranianos. Municípios dos Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, que no passado receberam imigrantes do país, se organizam para a acolhida.

A Guerra na Ucrânia entra hoje no oitavo dia com a expectativa em torno da reunião entre representantes russos e ucranianos em uma nova rodada de negociações. Não houve acordo para a realização do encontro ontem e por isso ele foi transferido para hoje, em local ainda não divulgado.

Prédio de escola é destruído por bombardeio russo Foto: Unicef Ashkey Gilbertson

Em uma mudança de tom da liderança russa, o chanceler do país, Sergei Lavrov, disse que reconhece Volodymyr Zelensky como presidente da Ucrânia.Acrescentou que o fato de ele querer obter “garantias de segurança” nas negociações com a Rússia é um “passo positivo”.

Até agora, o governo de Putin vinha pedindo o que chama de “desnazificação” do governo ucraniano. Na semana passada, o presidente Vladimir Putin chegou a pedir aos militares ucranianos que derrubassem o governo de Zelensky porque, segundo ele, isso tornaria mais fáceis as negociações entre os dois lados.

 

O principal negociador russo, Vladimir Medinsky, disse que seu país vai discutir um cessar-fogo com a Ucrânia. Segundo a agência de notícias russa Tass, o Exército está fornecendo um corredor de segurança para a delegação ucraniana.

O ponto de encontro fica perto da fronteira entre a Bielorrússia e a Polônia. Do lado ucraniano, o governo também confirmou que uma delegação do país está indo para a Bielorrússia para a segunda rodada de negociações.

A mudança de tom de Moscou aconteceu no mesmo dia em que o presidente russo, Vladimir Putin, conversou por telefone com dois aliados: Israel e Índia. Segundo um comunicado do Kremlin, Putin e o primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, discutiram a operação militar de Moscou na Ucrânia em uma conversa iniciada pelo lado israelense.

A Organização das Nações Unidas aprovou ontem uma resolução que condena simbolicamente a invasão russa da Ucrânia. Foram 141 votos a favor da resolução, entre eles Estados Unidos e Brasil; cinco contra e 35 abstenções.

Rússia, Belarus, Coreia do Norte, Eritreia e Síria votaram contra. China e África do Sul estão entre as abstenções.A resolução, no entanto, não tem poder de lei, mas serve para mostrar como a maioria dos países olham pra invasão.

Após o voto, o embaixador do Brasil na ONU, Ronaldo Costa Filho, fez algumas críticas ao texto e lamentou o fato de a resolução trocar o que poderia ser um apoio da ONU por uma atitude de apontar dedos. Segundo ele, a paz “exige mais que o silêncio das armas”.

O Brasil tem se posicionado contra a sugestão dos Estados Unidos de expulsar a Rússia do Conselho de Direitos Humanos da ONU. essa uma discussão prevista pra ocorrer hoje em Genebra, na Suíça.

Parquinho atingido durante ataque russo Foto: Unicef Asheley Gilberston

Papa
O governo ucraniano também pediu ao Papa Francisco que ele negocie com Vladimir Putin a criação de um corredor humanitário para ajudar na retirada de civis ucranianos. O Pontífice reafirmou que está pronto para facilitar o diálogo. Ontem, Quarta-Feira de Cinzas, Francisco pediu pela Paz na Ucrânia e agradeceu aos poloneses pelo acolhimento da Polônia aos refugiados.

Biden
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que a aprovação da resolução da ONU expõe o isolamento do presidente russo Vladimir Putin. Segundo Biden, a medida também responsabiliza a Belarus pelo seu envolvimento “inaceitável” nesta guerra.

Suécia
A Suécia afirmou que ontem quatro jatos de combate da Rússia violaram seu espaço aéreo no Mar Báltico. As quatro aeronaves sobrevoaram brevemente o espaço aéreo sueco a leste da ilha de Gotland, segundo comunicado das Forças Aéreas do país.

Guerra de versões
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ontem que 498 soldados russos já morreram e 1.500 ficaram feridos na Ucrânia desde o início da guerra. O número é BEM diferente do informado pelo comando militar ucraniano, que contabiliza 9 mil russos mortos e centenas capturados em seu território. Sobre os números de baixas do lado ucraniano, o governo de Putin diz que são mais de 2.870 soldados mortos, 3.700 feridos e 572 capturados. Os dados ainda não foram confirmados pelo governo da Ucrânia.

O procurador do Tribunal Penal Internacional confirmou ontem que abrirá imediatamente uma investigação sobre possíveis crimes de guerra cometidos na Ucrânia, após um pedido de 39 dos Estados membros do tribunal.

Ucraniana alimenta soldado russo

Em meio a todo esse cenário de negociações, acusações e destruição, alguns retratos da guerra nos lembram da nossa humanidade e nos fazem refletir sobre as vidas que estão em jogo dos dois lados. Um vídeo que viralizou ontem, depois da divulgação de uma jornalista ucraniana, mostra civis da Ucrânia alimentando um soldado da Rússia depois da rendição dele. Nas imagens, o soldado —que não teve o seu nome identificado— aparece visivelmente abalado, comendo um pedaço de bolo e tomando uma xícara de chá, que teriam sido oferecidos por moradores locais. Ele é acalmado por uma mulher, que lhe oferece o telefone para que o militar possa falar com a sua mãe e ele começa a chorar.

As Forças Armadas da Ucrânia publicaram nas redes sociais um passo a passo para que mães de soldados da Rússia saibam resgatar os filhos presos pelos ucranianos. Para o resgate ser feito, os ucranianos disponibilizam números de telefone e e-mail para que essas mães entrem em contato. Após a confirmação sobre a situação do soldado, elas terão que atravessar a Polônia para chegar ao posto de controle com a Ucrânia. De lá, serão escoltadas até Kiev.

Prisão de idosa e crianças
Uma ativista russa de 77 anos foi detida pela polícia, em São Petersburgo, depois de protestar contra a invasão da Ucrânia. Segundo o jornal “El País”, Elena Osipova portava dois cartazes que pediam a paz na Ucrânia e o fim das armas nucleares no mundo. A idosa foi presa por dois policiais de choque, no centro da cidade, e levada no camburão.

As manifestações na Rússia têm sido fortemente reprimidas por autoridades locais. Também circulam imagens de que 5 crianças entre 7 e 11 anos foram detidas em Moscou em um protesto contra a guerra.