Nascido no Brasil, Carlos Ghosn foi presidente da Aliança Renault-Nissan  e agora corre o risco de ser preso Foto: Divulgação

Agência Estado
Promotores franceses emitiram mandados de prisão internacionais para Carlos Ghosn e mais quatro indivíduos que eles afirmam ser ligados a uma concessionária de automóveis em Omã, alegando que eles ajudariam Ghosn a canalizar milhões de euros da Renault, de acordo com pessoas a par do tema.

Um magistrado investigador emitiu cinco mandados de prisão internacionais contra Ghosn, ex-chefe da Nissan e Renault, e os atuais donos ou antigos diretores da empresa Suhail Bahwan Automobiles, de Omã, segundo afirmou o gabinete do procurador no subúrbio de Nanterre, em Paris, ao Wall Street Journal.

Eles alegam que Ghosn movimentou milhões de dólares de fundos da Renault por meio da distribuidora de carros pra seu uso pessoal, inclusive a compra de um iate.

Presidente da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi durante vários anos, o brasileiro Carlos Ghosn teve sua reputação de grande executiva destruída a partir de 2018 quando foi preso no Japão sob acusações de fraude financeira.

O executivo, que chegou a ser tratado como herói no país após salvar a Nissan da falência, fugiu da prisão domiciliar na virada de 2019 para 2020 escondido numa caixa de equipamento musical num voo especialmente contratado para o Líbano.

Depois de escapar, ele inicialmente saudou a investigação francesa, dizendo que acreditava no sistema de justiça francês, que lhe permitiria provar sua inocência.

Uma porta-voz de Ghosn não quis falar sobre os mandados de prisão. O mandado de prisão mais recente não muda fundamentalmente a situação pessoal de Ghosn.

Após fugir do Japão, ele continua no Líbano, onde vive como fugitivo internacional numa casa comprada pela montadora japonesa. O Líbano não extradita seus cidadãos, e Ghosn tem cidadania no país, na França e no Brasil.

Pessoas próximas a Ghosn não descartam sua ida à França para enfrentar julgamento um dia, embora digam que isso é dificultado pelo fato de o Líbano atualmente ter seus passaportes. Isso também pode significar estar longe da sua esposa por um período prolongado.

Livro
Carlos Ghosn lançou um livro contando os bastidores da sua saída da Aliança Nissan Renault. O executivo, que acumulou a presidência do grupo e tinha como ‘escritório’ um jato executivo, foi além e previu que a Nissan e Renault podem deixar o Brasil no futuro.

Segundo Ghosn, “os mais fracos vão sair do Brasil, o que sempre acontece em grandes crises. Dentre os mais fracos, citou a Aliança porque para competir no Brasil é preciso ter uma montadora forte, com vontade de superar os ciclos específicos da economia local”.

O executivo avalia que as empresas que estavam em situação ruim antes da pandemia do coronavírus devem ficar bem para trás. Sobrarão, segundo ele,  as mais produtivas, organizadas e com visão de futuro.