As negociações da COP26, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, entram hoje em sua semana final e decisiva em Glasgow, na Escócia. Apesar dos compromissos e declarações políticas no início da reunião, os impasses ainda são significativos em questões centrais como o financiamento para a transição verde de nações em desenvolvimento, perdas e danos e o mercado de carbono.

As discussões técnicas deveriam ter acabado no sábado, deixando os textos praticamente definidos para os debates de alto nível, encabeçados pelos ministros que desembarcam na segunda metade da conferência. Apesar das negociações terem avançado, a maior parte dos textos com pontos que ainda precisam ser acertados.

Há algumas exceções, mas este não é o caso dos tópicos considerados centrais na COP26 e manter viva a expectativa de manter o aquecimento global inferior a 1,5oC até 2100, tida como o objetivo central da COP. O financiamento para os países pobres, em particular, é visto como uma questão que pode travar todos os outros debates.

A promessa era que as nações ricas mobilizassem 100 bilhões de dólares ao ano a partir de 2020 para a adaptação e a mitigação dos impactos do aquecimento global dos países em desenvolvimento. Não há dados consolidados do ano passado, mas não foi isso que aconteceu.

O posicionamento da delegação brasileira, por sua vez, é mais flexível que na COP25, em Madri, quando foi um dos responsáveis por travar a regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, que trata de regras para operacionalização do mercado de carbono. Se há dois anos a retórica era intransigente, desta vez o país mostra-se disposto a negociar.