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A renda habitual considera apenas o fluxo constante de pagamentos do trabalhador, sem acréscimos extraordinários, como décimo terceiro salário, férias ou horas extras. Se considerarmos a renda média efetiva, que inclui esses recebimentos pontuais, a queda foi de 6,2%. Já em relação do mesmo período de 2020, o recuo foi de 8,5%.

O Ipea ressalta em carta de conjuntura que, apesar de parte desse movimento descendente ser o inverso do observado ao longo de 2020, quando os rendimentos habituais apresentaram um crescimento acelerado, a renda habitual encontra-se abaixo dos níveis observados antes da pandemia.

Em comparação ao quarto trimestre, quando a renda média habitual atingiu o menor nível da série histórica do IBGE, iniciada há 10 anos, o valor de janeiro a março de 2022 é 1,5% maior.

Outro movimento observado pelo instituto no primeiro trimestre de 2022 foi um novo aumento no número de domicílios sem renda do trabalho, que passaram a representar 23,3% do total.

Esse número havia saltado de 22,3% no primeiro trimestre de 2020 para 28,5% no segundo, por conta da pandemia. Nos três últimos meses de 2021, no entanto, caiu para 22,2%, aproximando-se dos patamares anteriores à pandemia.

Todos os grupos demográficos tiveram diminuição na renda habitual. As maiores quedas foram registradas no Sudeste e Sul, entre os trabalhadores mais velhos e com ensino superior.

Na renda efetiva, trabalhadores do Norte, mais jovens e com ensino fundamental foram os únicos a apresentarem pequenos aumentos no primeiro trimestre de 2022.

O pior impacto da queda nos rendimentos no primeiro trimestre foi nos trabalhadores do setor público, com quedas da renda habitual e efetiva de 12,9% e 10,9%, respectivamente.

Os empregados do setor privado (com carteira ou sem carteira) também apresentaram quedas nos rendimentos, porém menores que as observadas no trimestre anterior, diz o Ipea.

Os trabalhadores por conta própria, que haviam registrado um crescimento da renda efetiva nos últimos trimestres, e apresentado quedas menores na renda habitual, mostraram uma deterioração da renda no início de 2022, com quedas das rendas efetivas e habituais de 2,8% e 6,4% respectivamente.

Renda domiciliar por pessoa

rendimento médio mensal domiciliar por pessoa caiu 6,9% em 2021, de R$ 1.454 em 2020 para R$ 1.353, informou o IBGE nesta sexta-feira (10). Esse é o menor valor da série histórica, iniciada em 2012.

Apesar de disseminada entre as classes sociais, a queda na renda foi maior entre as pessoas com menor rendimento. A pesquisa mostra que, entre os 5% de menor renda (R$ 39), o recuo foi de 33,9%. Entre os de 5% a 10% (R$ 148) caiu 31,8%. Já entre o 1% com maior renda (R$ 15.940) caiu 6,4%.

“Ou seja, em 2021, o 1% da população brasileira com renda mais alta teve rendimento 38,4 vezes maior que a média dos 50% com as menores remunerações”, diz a pesquisa.