Da Redação com Agência Estado

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, de 1,06%, até recuou em relação à taxa de 1,62% de março, mas isso não aliviou a preocupação dos economistas. Para Luis Menon, economista da Garde Asset, o recuo só ocorreu por duas coisas específicas: os efeitos do reajuste da gasolina no mês anterior e a mudança da bandeira tarifária de energia elétrica, de “escassez hídrica” para “verde”.

“A inflação não está muito pior do que no mês passado, mas continua ruim. Se desconsiderar os fatores específicos, andou de lado. A qualidade dos números é bastante negativa e não dá sinais de que vai ter grandes alívios tão cedo”, diz.

Inflação Consumidores fazem compras em supermercado. Foto: JF Diório/Estadão
Entre os itens que surpreenderam para cima, o economista destaca a alta de 6,13% em produtos farmacêuticos, na esteira do reajuste de até 10,89% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “O repasse foi muito grande e rápido, acima dos anos anteriores”, ressalta Menon, que também cita o avanço de 10,31% do leite.

A projeção preliminar da Garde Asset para o IPCA de maio é de arrefecimento a 0,48%, em um cenário sem reajuste da Petrobras no preço da gasolina. A estimativa de 8,60% para a inflação de 2022, porém, considera um aumento de 12% no combustível ao longo do ano, para corrigir a defasagem em relação aos preços externos. “Se a Petrobras deixar o preço congelado, podemos revisar esse número para baixo”, pondera o economista. Para 2023, a expectativa é de IPCA a 4,20%.