Pressionado para apresentar uma solução contra a escalada do preço dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro criticou nesta quinta-feira, 14, a política de preços da Petrobras e disse que seu desejo é privatizar a estatal. Ele afirmou que não consegue controlar o preço do combustível, já que iria incorrer em crime de responsabilidade, mas se queixou de novo que, em caso de aumento dos preços, a culpa sempre cai no seu colo. Para frear a alta dos preços, ele também disse que “seria bom se todo mundo ajudasse a economizar combustível”.

Presidente Jair Bolsonaro (Agência Brasil)

“É muito fácil, ‘aumentou a gasolina, culpa do Bolsonaro’. Eu tenho vontade, já tenho vontade de privatizar a Petrobras. Tenho vontade, vou ver com a equipe econômica o que a gente pode fazer”, disse o presidente em entrevista à Rádio Novas de Paz, de Pernambuco. “Eu não posso, não é controlar, eu não posso melhor direcionar o preço do combustível, mas quando aumenta a culpa é minha”, reclamou.

Na semana passada, a Petrobras anunciou o reajuste de 7,2% na gasolina e no gás de cozinha. Na semana anterior, o óleo diesel já tinha ficado 9% mais caro.

De acordo com o presidente, como o Brasil precisa importar o combustível, “seria bom se todo mundo ajudasse a economizar combustível, aí você iria obrigar os caras a rever o que está acontecendo, ajudaria bastante”. Para lidar com o problema da crise hídrica no País, ele já havia pedido a seus apoiadores que desligassem um ponto de luz em suas casas para poupar energia elétrica.

Diante da pressões sobre o aumento da inflação no País, Bolsonaro voltou a responsabilizar os governadores por parte do alto preço do gás de cozinha e dos combustíveis. “Essas verdades é que doem”, afirmou. No entanto, reconheceu que os governadores não podem zerar o ICMS. “Mas a cobrança do ICMS não pode ser feita com um percentual em cima do preço da bomba.”

O preço dos combustíveis é composto pelas fatias da Petrobras, da distribuição e revenda, pelo custo do etanol anidro, no caso da gasolina, e do biodiesel, no caso no óleo diesel, e ainda pelo ICMS, cobrado dos Estados, e pelo tributos federais Cide e PIS/Pasep e Cofins. No período de 3 a 9 de outubro, a fatia da Petrobras correspondia a 33,6% do preço da gasolina e a 54% do preço do litro do diesel, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O presidente também falou sobre o projeto aprovado na quarta-feira, 13, na Câmara que muda a regra de ICMS sobre combustíveis e estabelece um valor fixo por litro para o imposto. “Não era o que eu queria”, reclamou, em relação às alterações do projeto apresentado pelo Executivo. “Mas vai ajudar”, ponderou. Ele ainda cumprimentou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), por ter conseguido “aprovar o que foi possível”. O projeto agora será analisado pelo Senado.

Pacheco – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, condicionou a “boa vontade” da Casa com a mudança na cobrança do ICMS a uma avaliação efetiva do impacto no preço dos combustíveis. Os senadores irão conversar com os governadores, que tentam barrar a proposta aprovada na Câmara alegando queda de arrecadação de cerca de 30 bilhões de reais por ano. O projeto depende agora de votação no Senado e deve passar por uma comissão antes do plenário. Pacheco disse que o Senado tem o seu tempo e que ele não pode prever quando o texto será votado.