Pouco mais de duas semanas após a tragédia que atingiu o município de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, a cidade segue com todos os esforços para que a população volte a ter uma vida normal o quanto antes. O balanço da Polícia Civil até agora é de 232 mortos, 5 desaparecidos e 1.007 desabrigados.

Nesta quinta-feira, a Prefeitura atuou com equipe reforçada de trabalhadores, reboques e retroescavadeiras nos bairros Sargento Boening, Chácara Flora, Vila Felipe, 24 de Maio, Rua Nova e Rua Paulista, os mais afetados pelo temporal do último dia 15.

A operação retirou barreiras das casas atingidas pelos deslizamentos. “Estamos trabalhando com reforço nas equipes, nas áreas mais afetadas.

Atuamos de forma intersetorial para prestar todos os serviços necessários”, afirmou o prefeito Rubens Bomtempo.

 

Até o momento, mais de 50 famílias que tiveram as casas atingidas pelos deslizamentos já receberam o apoio da Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis. “Tem muitas pessoas trabalhando na limpeza da casa da minha mãe, no terreno da minha casa e nas valas que ficaram tomadas pela lama. Seria muito difícil conseguir recomeçar sem essa ajuda”, conta Thiago Novan, morador do bairro Chácara Flora.

Moradora do bairro Vila Real, Verônica Silva, conta que sem a ajuda seria impossível realizar a limpeza em tão pouco tempo. “Não tínhamos equipamentos, nem pessoas suficientes para retirar toda lama. Contar com a ajuda de uma equipe tão grande para a remover toda essa terra foi fundamental. Depois de tudo limpo, vamos recomeçar”, conta.

Detritos – Mais de 67 mil toneladas de detritos já foram retiradas das ruas da cidade. A Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis, a Comdep, segue atuando também em diferentes frentes na recuperação do município.

 

Equipes trabalham na desobstrução de vias e limpeza dos locais atingidos pelos deslizamentos.

Até o momento, foram liberadas mais de 20 vias que estavam bloqueadas na cidade.

 

O presidente da Comdep ressaltou que a operação só vai terminar quando forem retiradas todas as barreiras. “No Sargento Boening, no Chácara Flora e no Vila Felipe, são muitas barreiras que ainda estão atrapalhando a circulação dos moradores. Estamos removendo uma a uma. A Comdep está atuando com equipes em toda a cidade”, disse Léo França.

Doenças – A Secretaria de Saúde reforçou o alerta para doenças que podem ser transmitidas pelas enchentes. A pasta está reforçando os alertas para as pessoas que tiveram contato com a água das chuvas nas últimas semanas. A intenção é garantir que os cidadãos busquem atendimento médico logo nos primeiros sintomas, antes do agravamento de doenças relacionadas, como a leptospirose.

Até o momento, três pessoas estão internadas. Duas delas se tratam de casos suspeitos que ainda aguardam a liberação dos exames. O terceiro permanece internado em um leito de UTI e outras duas pessoas também estão sendo acompanhadas, mas não houve necessidade de internação.

As equipes da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde têm, desde o início da pandemia, realizado o monitoramento das doenças como leptospirose, doença diarreica e hepatite A.

“Os sintomas como febre, dores no corpo e na cabeça podem aparecer entre o primeiro e o trigésimo dia a partir do contato com a água. Por isso, as equipes da Atenção Básica e da Vigilância em Saúde estão em articulação e continuam monitorando os abrigos quanto ao aparecimento de sintomas”, disse o secretário de Saúde, Marcus Curvelo.

Reunião – O prefeito Rubens Bomtempo se reuniu nesta quinta-feira com moradores do Caxambu para apresentar as intervenções que serão feitas na região. O bairro está entre os afetados pela tragédia.

 

O mapeamento de risco geológico remanescente feito pela Defesa Civil indicando quais áreas estão interditadas também foi apresentado aos moradores.

Quem teve as moradias interditadas foi cadastrado no programa do Aluguel Social.

 

 

“Vamos trazer especialistas para analisar as intervenções que podem ser feitas nos locais dos deslizamentos. Todas as medidas que serão adotadas têm como principal objetivo dar mais segurança a região para preservar as vidas”, disse o prefeito Rubens Bomtempo.

Durante o encontro ontem, o prefeito também se comprometeu em pedir reforço da Polícia Militar na localidade. Os moradores denunciaram furtos nas casas que foram interditadas e que foram atingidas pelos deslizamentos. Fato que ocorreu também em outros bairros da cidade.

A partir da próxima segunda-feira, a sede da Associação de Moradores, na Rua Waldemar Ferreira da Silva, vai ser um polo de atendimento para as famílias. No local será feito o cadastramento para o programa do aluguel social e os técnicos da Defesa Civil farão os laudos e vistorias nos imóveis interditados.

Além do Aluguel Social no valor de R$1 mil – sendo R$800 pagos pelo Governo do Estado e R$200 pela Prefeitura de Petrópolis – as famílias também serão contempladas com o Cartão Imperial. O benefício – R$70 – será dado a cada integrante da família.

 

Camila Grecco, Redação NBFM Rio