Ouro Preto é um dos principais destaques da Via Liberdade, que passa por 3 Estados e o DF Foto: Pedro Vilela / MTur

Agência Estado

Um percurso de 1.179 quilômetros, que passa por montanhas, litoral, áreas verdes e por ícones arquitetônicos, além de atrações culturais, históricas, artísticas e gastronômicas. Três Estados – Rio, Minas e Goiás – e o Distrito Federal se juntam na criação da Via Liberdade, rota turística lançada em abril que passa por 307 cidades.

Além de fomentar a visitação, a ideia é celebrar o bicentenário da Independência do Brasil, comemorado em setembro.

A escolha dos destinos, ao longo da Rodovia BR-040, privilegiou espaços simbólicos desde a fase do Brasil Império no Rio, passando pelos movimentos libertários em Minas, a conquista do interior, em Goiás, e a criação de Brasília.

No roteiro, há sete Patrimônios Culturais da Humanidade: o Cais do Valongo e o Sítio Burle Marx, no Rio; a Serra do Espinhaço, em Ouro Preto, a cidade de Congonhas e a Pampulha, em Belo Horizonte, o Caminho de Goiás e Brasília, além das regiões do Grande Sertão Veredas e o Rio São Francisco.

O objetivo principal é fomentar o turismo das cidades envolvidas e, por consequência, o desenvolvimento territorial e econômico das regiões nos próximos cinco anos.

O investimento total na Via Liberdade é de cerca de R$ 12 milhões para fomento e estruturação do turismo.

Desse montante, mais de R$ 4 milhões foram destinados em acordo de cooperação firmado entre o governo de Minas, a Fecomércio, Sesc e Senac para ações de capacitações, promoção, marketing turístico e intercâmbio cultural.

“O trajeto inteiro conta com cerca de 70% dos patrimônios históricos tombados do País”, afirma o secretário de Cultura e Turismo de Minas, Leônidas de Oliveira.

Segundo o Estado, a trégua da pandemia propiciou uma maior ocupação dos hotéis no Estado: a taxa de ocupação é de cerca de 90%. Mas em alguns pontos, como em Belo Horizonte, esse índice está baixo – em torno de 45%.

“Torcemos para que a retomada econômica venha”, afirma Fernando Guimarães Rodrigues, proprietário e fundador da Queijenharia, que produz queijos curados com sabores diferentes, como amêndoa defumada, azeite, café, cardamomo, chimichurri e curry.

“Sofremos muito com os quase três anos de pandemia, reduzimos demais a produção”, conta ele, cujo negócio fica em Rio Acima, a menos de uma hora da capital. Além do queijo, café, doces e vinhos são outros produtos gastronômicos de destaque desse roteiro.

Para quem se interessa por história e natureza, outra opção é o Circuito Turístico das Grutas, que envolve 14 municípios mineiros: Cachoeira da Prata, Caetanópolis, Capim Branco, Confins, Cordisburgo, Fortuna de Minas, Jequitibá, Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Prudente de Morais, Santana de Pirapama, São José da Lapa e Sete Lagoas.

Parte desssas cidades é marcada pela passagem do naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund (1801-1880), considerado o pai da palentologia brasileira. Na região, foi achado o crânio de Luzia, o mais antigo osso do tipo já identificado nas Américas.

“É um Estado com fortes características arqueológicas, paleontológicas, espeleológicas, mais de 800 cavernas catalogadas, aquíferos maravilhosos e muita religiosidade, folclore, artesanato, gastronomia com receitas tombadas e manifestação popular. De uma riqueza e potencialidade turística que só Minas tem”, diz Mariela França Teodoro, presidente da instância de governança do Circuito Turístico das Grutas.