No sábado, logo pela manhã fãs já se aglomeravam nos arredores do ginásio que seria usado para o velório em Goiânia. Alguns usavam bandeiras do Brasil nas costas, uma forma de mostrar a importância da cantora para o País. As filas para passar pelo caixão foram enormes durante toda a tarde de ontem. Ao lado do corpo, permaneceram o tempo todo amigos, artistas e familiares. O dia acabou com caminhões do corpo de bombeiros trafegando em marcha lenta até o cemitério. No trajeto fãs acenavam no acostamento, em viadutos. Carros e motos acompanhavam. Marília Mendonça foi enterrada no começo da noite. Chegava ao fim uma carreira meteórica da cantora que viveu apenas 26 anos.

Os corpos de Marília e Abicieli Silveira Dias Filho, tio e assessor da cantora, deixaram o ginásio Goiânia Arena por volta das 17h. Marília, o tio e mais três pessoas morreram após um acidente de avião no interior de Minas Gerais, onde ela tinha um show marcado na sexta-feira, em Caratinga. O caixão com o corpo de Marília foi transportado em caminhões do Corpo de Bombeiros. As cantoras Maiara e Maraísa acompanhavam o trajeto de cima do carro.

Os portões do velório foram abertos ao público no começo da tarde, mas os fãs formavam enormes filas do lado de fora para prestar uma última homenagem à artista desde a manhã. O primeiro momento, logo após a acomodação dos caixões, porém, foi destinado aos familiares, amigos e artistas, como Luisa Sonza, Henrique e Juliano, Naira Azevedo, Jorge (da dupla Jorge e Matheus), a dupla Mateus e Kauan, João Neto e Frederico, Vitor e Luan e Luisa (da dupla com Maurilio). Todos foram se despedir da ‘Rainha da Sofrência’, como ela era conhecida.

Homenagem

Por volta das 16h, a entrada ao ginásio foi bloqueada. Marília, então, foi homenageada pelos amigos com música. Henrique e Juliano

cantaram o sucesso “Obrigado Deus” e, na sequência, Maiara e Maraísa apresentaram uma versão de “Alívio”, de Jésse Aguiar. O filho de Marília Mendonça, Léo, de apenas um ano e seis meses, não participou da cerimônia.

Emoção

Um dos momentos de maior emoção do velório ocorreu às três da tarde. Neste horário, a banda da cantora chegou ao velório. A equipe se encontrava em Caratinga, para a realização do show de Marília previsto para sexta. Ao entrarem no ginásio, os membros da banda foram recepcionados sob o som de uma homenagem cantada à sertaneja. Houve aplausos. Muitos fãs, ao deixar o ginásio, se reuniram e passaram a cantar músicas da cantora.

Eduardo de Sousa, de 17 anos, um dos fãs no velório, estava bastante emocionado. “Marília estava comigo todos os dias. Como vou de bicicleta para o trabalho, sempre costumava colocar as músicas dela durante o trajeto. Ela estava no auge da carreira. A dor foi como se fosse um parente meu”, lamentou o jovem.

Com 34 anos, Camila Ribeiro relatou que, desde que soube do acidente, não conseguiu conter as lágrimas. “A única coisa que consigo dizer é que cada música dela representa uma fase diferente de minha vida”, desabafou.

Legado. Marília deixa um legado relevante para a representação feminina no gênero musical sertanejo. Se suas letras, mesmo aquelas compostas para vozes masculinas, já haviam dado indícios de uma postura mais feminina no sertanejo, foi em 2016, com “Agora É Que São Elas”, parceria de Marília Mendonça com Maiara e Maraisa, que ela se firmou como uma das principais vozes do estilo. Desde então, Marília figurou, em 2019, como a artista brasileira mais ouvida em ranking do YouTube. Era a 13ª no mundo. Nesse ano, Marília venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja por “Todos os Cantos”.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.