Ruas enlameadas, ônibus caídos em córregos, inúmeros veículos uns sobre os outros, casas destruídas, falta de energia elétrica em diversos bairros e uma quantidade de mortos que só aumenta – eram 58 até o início da tarde desta quarta-feira, 16. Há ainda incerteza sobre o total de desaparecidos, uma vez que não se sabe ao certo quantas casas estão soterradas no Morro da Oficina, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.

A área foi a mais atingida pelas chuvas que caíram na cidade fluminense na tarde de terça, 15. Ao longo da madrugada e de toda a manhã, bombeiros, moradores e voluntários trabalharam no resgate de vítimas. No pé do morro, amigos e parentes aguardavam em vão por notícias, uma vez que o sinal de celular praticamente inexiste. “Vim por causa de um colega. A mãe e a filha dele, de cinco anos, estão soterradas”, contou Letícia Jennifer, de 28 anos. “Meu colega ficou a noite toda ajudando a cavar. A casa está soterrada, ela tem três andares e o segundo está soterrado.”

Letícia é tia de Emanuelle, uma das crianças que estava na escola José Fernandes da Silva, que fica na mesma área e que teve os fundos parcialmente destruídos. “Ela (Emanuelle) falou que foi horrível, que parecia filme de terror. A água batendo nela, as cadeiras. Um amiguinho ficava segurando a mão do outro, porque a correnteza estava muito forte.”

A mãe de Emanuelle só foi ter notícias da filha por volta das 22h, quando a encontrou no Pronto Socorro que fica ao lado. “Minha filha ficou soterrada, foi levada pra UPA cheia de barro, bebeu água de lama”, narrou a dona de casa Dayana Gonçalves. “Ela me disse que os alunos agiram por conta própria. Muitos ficaram machucados, havia muitos em estado de choque. Minha filha está muito assustada e disse que não vai mais pra escola.”

A costureira Sheila Mara Loiola, de 45 anos, também estava à espera de notícias sobre desaparecidos. Ela disse que acolheu muitas pessoas em sua casa desde a noite de terça. “Dois amigos nossos perderam a família inteira. Teve uma menina que só sobrou ela, não sobrou ninguém da família. Foi mãe, marido, todo mundo”, lamentou.

 

Agência Estado