Representantes do WhatsApp se reuniram com o presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira, 27, e afirmaram que o recurso Comunidades só será lançado no Brasil depois das eleições de outubro. O encontro no Palácio do Planalto, que não constava na agenda oficial, ocorreu a pedido do presidente, que vinha cobrando publicamente o WhatsApp sobre o adiamento da funcionalidade que permite disparar mensagens para milhares de destinatários de uma só vez. A decisão da empresa é um revés para Bolsonaro que conta com a ferramenta para difusão de noticias em ano eleitoral.

No encontro, o representante do WhatsApp esclareceu que a medida adotada pela rede social de só ativar as Comunidades no Brasil após as eleições não está vinculada a um acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Participaram da reunião com o presidente o head do WhatsApp no Brasil, Guilherme Horn, e o ministro das Comunicações, Fábio Faria. “A implementação da funcionalidade no Brasil ocorrerá somente após o período eleitoral. É importante ressaltar que a decisão sobre a data de lançamento deste recurso no Brasil foi tomada exclusivamente pela empresa, tendo em vista a confiabilidade do funcionamento do recurso e sua estratégia de negócios de longo prazo. Essa decisão não foi tomada a pedido nem por acordo com o Tribunal Superior Eleitoral”, reforçou o WhatsApp em nota divulgada após o encontro.

(Agência Brasil)

Aplicativos de mensagens e redes sociais estão no centro da discussão sobre combate a informações falsas nas eleições. Na eleição de 2018, o WhatsApp foi considerado um dos principais vetores de desinformação. As principais plataformas fecharam acordo com a Justiça Eleitoral para adotar medidas contra a disseminação de fake news nas eleições 2022.

O WhastApp esclareceu nesta quarta que assinou memorando de entendimento com o TSE sobre outras questões relativas ao processo eleitoral, como a criação de um canal de denúncias para contas suspeitas de disparos massivos e a realização de treinamentos. “No entanto, nenhum desses acordos com o WhatsApp faz referência à funcionalidade Comunidades ou ao seu momento de lançamento, pois esse tipo de decisão cabe à empresa”, disse.

De acordo com a plataforma, o recurso passará por aprimoramentos antes de ser lançado globalmente – o que não acontecerá, de qualquer forma, antes das eleições. “Continuaremos a avaliar o momento exato para o lançamento da funcionalidade no Brasil e comunicaremos a data quando estiver definida. Reafirmamos que isso só acontecerá após as eleições de outubro.”

‘Situação saneada’

Em entrevista coletiva após a reunião, Fábio Faria disse que Bolsonaro “entendeu completamente” os esclarecimentos do WhatsApp. “Sendo decisão da empresa, é do mercado, então não tem por que nem como o Executivo interferir”, afirmou o ministro. “A reação do presidente foi porque ele achava que tinha acordo, mas acordo não existiu. Para o presidente, a situação está completamente saneada.” No dia 15, após participar de motociata em São Paulo, Bolsonaro disse que o suposto adiamento a pedido do WhatsApp era “inaceitável” e “inadmissível”.

Ainda segundo o ministro, o WhatsApp não tem data para adotar o recurso Comunidades em nenhum lugar do mundo e faz os lançamentos de novidades apenas de forma global, mas está preocupado com a divulgação de fake news nas eleições. “Se houver foto de candidato com número de outro, WhatsApp vai retirar”, afirmou.

Faria ainda disse que o presidente, que enfrenta uma crise com o Judiciário, quer as plataformas funcionando “sem interferência dos Poderes”. “O presidente quer que plataformas funcionem para todos os partidos e candidatos nas eleições”, afirmou o ministro das Comunicações.

Megagrupos no WhatsApp

O recurso de Comunidades foi anunciado no dia 14 de abril junto a outras novidades da plataforma. “As Comunidades permitirão que as pessoas reúnam grupos relacionados sob uma mesma estrutura que funcione para elas. Dessa forma, os participantes poderão receber avisos enviados para toda a Comunidade e organizar grupos menores para discutir os assuntos que são de seu interesse com facilidade”, informou a empresa na ocasião.

Inicialmente, as Comunidades poderão reunir até 10 grupos com até 256 pessoas. Dessa forma, uma mensagem pode alcançar uma audiência de 2.560 pessoas, o que preocupa especialistas ouvidos pelo Estadão . O maior temor é de que elas permitam uma circulação maior de desinformação.

Agência Estado