A escritora e ativista americana bell hooks (ela assinava seus livros em minúscula) morreu nesta quarta-feira, 15, aos 69 anos. Segundo informou uma carta de sua família, ela estava cercada de amigos e familiares em sua casa na cidade de Berea, na Carolina do Sul. Tendo publicado mais de quarenta livros em vida, a autora se popularizou no Brasil nos últimos anos conforme sua produção literária era editada no país.

Nascida Gloria Jean Watkins, ela publicou uma antologia de poemas como primeiro livro no ano de 1978. Três anos depois, em 1981, lançou o clássico E Eu Não Sou Uma Mulher, Mulheres Negras e Feminismo. Militante do movimento negro, hooks era defensora dos estudos culturais, autora também de Educação Como Prática de Liberdade. Seus métodos pedagógicos se tornaram referência por tratar o conhecimento de forma horizontal, ou seja, colocando o diálogo plural, professor-aluno, no centro do debate.

Seu nome brilha em um panteão ao lado de Audre Lorde (1934 – 1992), Patricia Hill Collins e Angela Davis, todas expoentes do ativismo negro na literatura e nas artes. Segundo os críticos que estudam a obra dela, a autora foi influenciada pelo brasileiro Paulo Freire e a americana Toni Morrison. A Pedagogia do Oprimido, método defendido por Freire e difundido pelo mundo, revela ecos na obra de hooks. No Brasil, personalidades, como Emicida, lamentaram a morte da escritora. Sua obra é publicadapor aqui pela editora Elefante.

“Bell Hooks nos deixou hoje. Ela foi uma pensadora, escritora e intelectual que nos mostrou a importância dos afetos e de olhar para nosso mundo com olhar crítico. Vá em paz. “, escreveu a vereadora da cidade de São Paulo, Erika Hilton, que tinha hooks como um exemplo. O compositor Emicida também registrou um agradecimento no Twitter: “Bell Hooks gigante. Descanse em paz. Obrigado por partilhar sua luz com o mundo!”.

Agência Estado