Os dois fortes temporais que caíram em Petrópolis, na Serra Fluminense, em um intervalo de 35 dias, deixaram até esta terça-feira, 22, 238 mortos, oito desaparecidos, centenas de desabrigados e um prejuízo ainda incalculável a comerciantes da cidade. Nesta terça, boa parte das lojas e bares do centro histórico permaneceu fechada ao público, enquanto funcionários e donos dos estabelecimentos tentavam recuperar alguma coisa.

“Trabalho há 17 anos com comércio nesta rua. Neste ponto aqui, a água nunca tinha chegado à altura que chegou. Sempre alagava um pouco mais para lá, mas neste ponto não. Na chuva do dia 15 (do mês passado), a água subiu 1,6 metro”, contou Robson Oliveira, de 51 anos. Ele é sócio de uma loja de suplementos e produtos naturais na Rua do Imperador.

Foto: Agência Brasil

O comerciante disse que o estabelecimento, que tem vinte funcionários, ficou quinze dias fechado depois dos temporais do mês passado. “O prejuízo ficou entre R$ 400 mil e R$ 500 mil. A mercadoria toda foi muito rápido, toda aquela que estava na área de venda foi embora. É uma mercadoria muito cara, a gente trabalha com suplementos, muito encapsulado de valor agregado alto. Só de granel, a gente tem seiscentos potes, e não deu tempo de tirar”, contou Oliveira.

A chuva de domingo passado trouxe novos prejuízos, mas o impacto não foi tão grande quanto da primeira vez. “Perdemos bastante, mas o prejuízo foi bem menor porque no domingo a gente estava aberto e a água subiu mais devagar”, relatou. “Deu tempo de subir com quase tudo.”

Perto dali, Guilherme Ivo Stumpf, de 51 anos, também tentava levar de volta ao normal seu minimercado e sua loja de doces e biscoitos. Ele disse que nem havia terminado de contabilizar os prejuízos da primeira chuva, quando teve de encarar o novo temporal do último fim de semana.

“Sempre encheu (a rua de água), de tempos em tempos enche aqui. Só que dá 40 centímetros, 50 centímetros no máximo, dentro da loja. E o pessoal achava que não ia subir mais”, contou, citando o temporal do mês passado. “Quando vimos, chegou a 1,5 metro. Foi uma perda que a gente nem terminou de contabilizar, mas que passou de R$ 300 mil.”

Foto: Agência Brasil

Stumpf relatou que o impacto no último domingo só não foi maior porque ele, por meio do monitoramento por um sistema de câmeras, que a água estava subindo. Foi então que ele foi até as duas lojas com a mulher e os três filhos para tentar salvar as mercadorias.

“Quando cheguei à avenida, a água já estava acima do joelho”, recordou. “Aí começamos a tirar computador, balança eletrônica, e levamos lá para cima”, relatou. “Mas arroz, fubá, farinha (perdemos tudo). Se pega água, não tem jeito.”

As perdas só poderão ser supridas com mais trabalho. “A gente tem um seguro de conteúdo da empresa, e quando acionamos eles disseram que não cobre enchente”, disse Stumpf. “Por ironia, o seguro venceu dia 12, e o corretor me ligou perguntando se eu iria renovar. Eu disse que renovaria se tivesse seguro contra enchente. Mas o corretor pesquisou com um monte de empresas e ninguém quer dar seguro contra enchente em Petrópolis.”